quinta-feira, 6 de setembro de 2012

23 de Agosto – Encontro com Suzana Aragão


A Mestra!!!

.Ruas da Santa Cecília.
Massagem pra começar. Caminhem, se olhem. Ninguém manda, percebam!
Duplas. Dois cegos e dois que veem. Um guia o outro.
-É sonâmbula? Leva ela na Igreja?
E lá fomos nós. O mundo se transforma quando os olhos se fecham. Dá medo, mas ai vem a lembrança de que a mão que me guia é de confiança.
Subimos uma montanha até chegar a igreja. Chuto um degrau. Dói o dedo. Mas ouço os passarinhos e tudo passa. Na porta da Igreja tinha uma gaiola de pássaros. Uma imensa gaiola de pássaros. Vamos descer! Descer? Toda aquela escadaria? Não! Não! Não! É um abismo! Se subir, foi difícil, descer será terrível. Medo. Muito medo. Mas calma, respiro. É a Samara que me guia. É a Samara, respiro fundo e a sigo degraus a baixo, tendo que me dizer a cada passo dado que: “é a Samara”.
Ufa, não há mais degraus. Mas sinto o sol.  Logo ali, depois de passarmos pelas galinhas. Galinhas? Que galinhas? Andamos no meio da rua, ouço os carros, os passos, o riso que não se contém do meu lado, saltos altos, meu pé pisando o chão. Chegamos. Não sei onde, mas chegamos! Abro os olhos e não há pássaros, nem galinhas... São pombas.
Trocamos. Eu conduzo a Samara. Não digo nada. Quanto medo. Meu Deus, quanto medo. Ela anda como se fosse bater a cada centímetro. Andamos de costas, corremos, andamos lentamente, de lado, de frente... Andamos! Medo! Medo! Muito medo! Não digo nada. Respiro fundo pra lembrá-la de respirar. Ela respira e anda. Rio. Rio do medo. Rio dela, rio de mim e de nós. A gente tem medo pra burro da vida!
Voltamos!  



Roupas, maquiagens, cabelos... Ah, meu cabelo foi mexido. Riram de mim! Sou levada até o espelho, tenho até uma franja: “Você é muito bonita, não pode! Tem que ter alguma coisa feia! Tem que quebrar!” Aceito. Mas não me acho muito diferente do que faço. Mas o espelho deve ser o outro... E eu acredito nesse espelho!
 Narizes no lugar dos narizes.
Caminhem, se olhem. Ninguém manda! Não é, Rolha? Opa, tem alguém mandando! Prazer! Elisa Betana, Claudius do Latim, Pamplona e Rolha. A Senhora é? Ah, Suzana! A mestra!
Andamos! Paramos! Andamos! Paramos! Sim-tonia!
Fomos às ruas... Tudo diferente. Todos diferentes! Corremos, esbaforidos, parecendo bichos soltos no zoológico.
-Hei, para tudo! Estamos acelerados demais. Não consigo assim!
Respiramos! Ah, agora estamos lá de verdade! Eu cheguei! Eles chegaram! Eis o “X” da questão! Nossa, não é que existe um X bem ali entre nós mesmos. Deve ser uma bomba diz a moça passando. E há vários “X”s espalhados na calçada. Deve ser ataque terrorista. Corremos!!!
Olha só, tem um cara distribuindo fotos e pedindo votos. Vamos lhe dar dinheiro! A Rolha quer trocar dinheiro por dinheiro. Ele concorda, promete que troca. Mas na hora “H” não cumpre.
-ESSE CARA AQUI, PROMETE, MAS NÃO CUMPRE!
Devolvemos as fotos, pegamos nosso dinheiro de volta e então ele quis me beijar. Ali, no meio da rua, sem nem me oferecer flores e bombons antes. Ora, ora, ora... Que folgado. ?Isso é assédio! Claudius se ofereceu para beijá-lo em meu lugar. Os homens não têm tanto romantismo quanto as mulheres nessas horas. Mas ele recusou o beijo do Claudius. Só porque ele não é loiro, preconceituoso viu. Sai de lá prometendo processá-lo por assédio e danos morais e materiais. Mas tratando com político, fiz politicagem e também não cumprirei minha promessa, só de birra!
A Rola conheceu uma senhora, chamada Garrafa (nome pitoresco, não?) e juntas fizeram um número rápido, aliás, foram dois números: o “01” e o “10”. Foi um encontro casual que rendeu esse breve numeral!
Andamos, andamos, andamos...
E então a mestra nos encontrou e disse que tínhamos que fazer o caminho de volta em dez minutos, só podendo parar se algo muito importante nos chamasse a atenção – tínhamo-no feito em 45. Rolha e eu conseguimos – graças a minha tese de que as pessoas sempre te cumprimentam se você só sorrir para elas e acenar com a cabeça. Essa tese nos fazia passar por todo mundo de maneira acelerada e só parar para sorrir. Todo mundo nos cumprimentou! Ficamos mais importantes na volta do que na ida – quando parávamos e dávamos “boa tarde” pra cada um.
Chegamos ao Folias e percebemos que havíamos deixado o Claudius, a Pamplona e a mestra pra trás. Então lá na porta conhecemos o pai do Elvis – um senhor que mora ali nos arredores do Folias e que nunca viu uma peça por lá. Ele nos contou toda a sua vida, enquanto Claudius, Pamplona e Suzana não chegavam. A gente sempre pode fazer um amigo se estiver parado na porta de um teatro e sorrir pra alguém...
Um tempo depois  o Claudius passou por nós correndo, entrou no teatro e saiu de lá com bolo e café, não entendemos nada, mas como quem corre tem pressa, não o interpelamos. Depois chegou a mestra com a Pamplona e nos mandou entrar!
O Claudius ficou ainda um tempão desaparecido. Sumiu no mundo porque encontrou um cara que, pro mundo, não existia e ai eles sumiram juntos debaixo de um viaduto, numa conversa que só eles podem contar...


Gislaine Pereira

domingo, 2 de setembro de 2012

É caminhando que se faz o caminho!


E lá fomos nós para mais um dia de encontros pelo Programa VAI, com o projeto: “Amigos...Colegas... Seres Humanos Palhaços!”.
E nessa terça-feira (21/08) nosso encontro estava marcado na Av. Cruzeiro do Sul. Mas é claro que antes de ir não podíamos deixar de fazer uma visitinha para nossa querida amiga Dona Denise, então lá fomos nós ao encontro de nossa grande amiga que fica na Rua Voluntários da Pátria. Nesse caminho encontramos vários outros amigos que vimos das outras vezes. E é lógico que fizemos outros novos amigos também, como por exemplo a Dona Sônia que trabalha no restaurante que almoçamos, ela ficou muito surpresa ao ver 4 palhaços parados em frente ao restaurante, para lhe dizer “oi”, e ali na porta do restaurante tocamos, cantamos, dançamos, presenteamos e fomos presenteados, um encontro muito saboroso e nutrido de muita alegria.
Mas lá continuamos nós a procura de nossa amiga, e foi em meio a gritos e chamados como: ”Olha eles ai de novo”, “Oi amigos!”, “Nossa quanto tempo...” é que fomos subindo a Voluntários da Pátria, até que fomos abordados por duas simpáticas senhoras de Botucatu que naquela terça-feira estavam levando uma vida de “patroéte” (o oposto de impreguete) segundo elas, que estavam ali para fazer compras naquele dia. E foi ali no meio da calçada que elas ficaram nos dando conselhos de outros trabalhos semelhantes a esse que podíamos fazer, acho que podemos convidar Dona Sebastiana e Dona Lourdes para serem nossas empresarias, já pensou Trupe DuNavô em Botucatu? Junto com essa dupla simpática e de bem com a vida, seria no mínimo MUITO divertido!
E nossa caminhada não parou por ai não, pois logo encontramos saindo de uma loja aquela coisa fofa, o Levi, um bebezinho muito tranquilo que estava no colo de sua mãe, e com ele tiramos foto, cantamos, fizemos bolinhas de sabão, e demos um presente, sim, o Levi havia feito aniversario ou “mêsversário” na segunda feira, e demos uma moto de presente para ele. Ah... pedíamos para a mãe dele a receita de como fazer bebês, e ela deu risada e não passou, disse para perguntamos para as moças que estavam dentro da loja, e quando perguntamos as moças começaram a rir também, e não falaram, conclusão: saímos de lá sem saber como fazer bebês. Mas não desistimos, e quando soubemos contamos pra vocês! ok?
Continuamos a andar e quando olhamos para o outro lado da rua, lá estava ela, Dona Denise, já com sua mochila nas costas pronta para ir embora, nós então ficamos de um lado da rua, ela do outro e um monte de carro passado entre nós, e então  ficamos com beijinhos e tchauzinhos  a distância. Dona Denise desceu a rua e nós continuamos seguindo o nosso caminho em direção a Av. cruzeiro do sul, e quando chegamos resolvemos subir a Cruzeiro até o farol, para depois descermos em direção  ao terminal de Santana, e assim fizemos. Até que encontramos na frente de um brechó s Dona Dirce que estava sentada em um banquinho, e o Sr. Jacob, ou melhor, o Jacob (ele não gosta de certas formalidades, como senhor/senhora). Quando chegamos o sol estava batendo bem na porta do brechó,  e não conseguíamos nos ver direito, então mudamos de lado e Dona Dirce conseguiu nos ver melhor, e percebeu que tínhamos instrumentos, então ela pediu  “Vocês poderiam tocar uma música pra mim?” e assim tocamos, Dona Dirce nos acompanhou cantarolando e o Jacob, ficou o tempo todo calado só observando dali do cantinho as músicas  que estávamos tocando. Até que Rolha e Betana foram conversar com ele (aquela figura simpática, que até o presente momento não havia trocado uma só palavra conosco). Então elas o cumprimentaram e perguntaram se estava tudo bem, eis que um largo sorriso surge no rosto de Jacob e ele diz: ”Sim, esta tudo ótimo, afinal hoje o céu mandou três anjas aqui pra terra” e olhando para o Claudius ele disse: ”mandou um anjo também, mas é que eu prefiro as anjas, entende?”. E ali com o Jacob e a Dona Dirce, ficamos um bom tempo, um bom tempo mesmo, ali nós cantamos canções regionais e populares, rock' n' roll, arriscamos até um tango e improvisamos algumas canções que fez Dona Dirce soltar o vozeirão e Jacob dançar uma dança que “só Jacob dança” como ele mesmo fala, fizemos uma verdadeira festa ali na frente do brechó. Quando estávamos indo embora, Dona Dirce disse: “ esperem mais um pouco, que eu vou chamar a Rita” . E quando a filha da Dona Dirce chegou, a Rita, a festa retomou e juntou mais convidados, pois lá estávamos nós quatro , mais a Dona Dirce, o Jacob, a Rita, o Joselito e o Fernando que não resistiram e foram festejar conosco também,  festejar o que? Eu também não sei! Mas agora pensando, acho que estávamos festejando o encontro, a terça-feira, o casamento de Rolha com Jacob, o sol, os novos amigos ou a vitória, como disse a Dona Dirce. Depois de tantos festejos, hora de ir embora, era o que achávamos que iria acontecer, mas o que não sabíamos é que eles preparavam um novo encontro para nós, pois a Rita e a Dona Dirce, que  moram na parte de cima do brechó, pediram para nós fazermos uma visita ao Marcão, um rapaz que elas cuidam e mora lá com elas também, e é claro que lá fomos nós ao encontro de mais uma amigo naquele dia tão especial. Quando chegamos fomos recepcionados pela a cachorrinha Suzy, uma gracinha, que ficava correndo e cheirando aqueles quatro palhaços que “invadiam” a casa dela. Então entramos no quarto do Marcão, e ali fizemos mais uma festa com aquele policial aposentado e ex-motorista do Senna, sim senhoras e senhores, o Marcão dirigia o carro do melhor piloto de fórmula 1 que o Brasil já teve, Ayrton Senna! Quanta honra! E é claro que depois de sabermos de TUDO isso, não podíamos deixar passar em branco, então lá fomos nós fazer a maior festa novamente, afinal acho que o Marcão reside na casa mais festeira de todo o bairro de Santana. Quando estávamos indo embora a Rita disse para tirarmos uma foto com Marcão da próxima vez que fossemos para lá, então ela anotou a data em um papel  e disse que daria um banho no Marcão e o deixaria bem bonito para foto, nós também anotamos a data, pois teremos que dar um banho na Pamplona e tentar deixa-la bem bonita para a foto também!
Bom... quando voltamos para a rua, nos demos conta que a tarde de terça-feira estava acabando, e que nós tínhamos ficado ali com os nossos novos amigos, quase que a tarde toda, o que foi uma delicia de encontro e de festa. E não vemos a hora de encontra-los novamente e festejar sei lá o que e sei lá aonde.
E assim terminamos mais um dia de encontros com mais um monte de : “Amigos... Colegas... Seres Humanos Palhaços!”.



Gabi Zanola

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Agosto é mês do que mesmo?

Ave César!

Entramos no nosso 3° mês de atividades no bairro de Santana, exatamente no mês de Agosto, um mês cheio de superstições, crendices e acontecimentos históricos que reforçam ainda mais o apelido de “Mês do Cachorro Louco”.
A Primeira Guerra Mundial começou  em Agosto 1914, as bombas jogadas em Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial foi em Agosto de 1945, Juscelino Kubitscheck faleceu em um acidente de carro em Agosto de 1976, a construção do muro de Berlim começou em Agosto de 1961 e uma outra curiosidade é que o nome deste mês foi dado pelo Imperador Cesar Augusto em homenagem a ele mesmo, nada modesto, né?  Agosto, do Latim, Augustus que significa algo majestoso e assim foi nosso dia: majestoso.

Voltamos a nossa formação original, com todos devidamente narigados; Claudius Dolatim, Elisa Betana, Pamplona e Rolha!
Fomos para um novo lugar: R. Dr. Zuquim. Nos encontramos novamente com Dona Denise que nos disse que conta para todos que a visitam em casa e perguntam: "-Quem são esses palhaços neste porta retrato com você?", ela responde toda orgulhosa: "-São meus amigos palhaços!" E como é gostoso saber que mesmo longe ainda estamos presentes em sua vida. Muito obrigado Dona Denise, por nos colocar dentro da sua casa!


E estamos em mais lugares do que imaginamos, até o que é serviço de outros querem que façamos... Nós estamos nas ruas para  interagir com pessoas que estejam dispostas a interagir conosco. Mas hoje ao passarmos por um morador de rua, que estava dormindo, fomos questionado por um senhor que estava no ponto de ônibus:
 -Por que vocês não foram lá falar com ele?
 -Simples, por que ele esta dormindo e não queremos incomodar, eu particularmente detesto quando me acordam!
-É, vocês estão na profissão errada, quando veem alguém que precisa de um pouco de felicidade, só por que é morador de rua você passam direto!
Uma outra senhora que estava na mesma fila, disse-nos que estávamos certos e que não deveríamos acordá-lo. Rolha, foi até o morador que dormia tranquilamente e colocou uma flor próxima a ele. Claudius se virou para o Senhor e disse:
 - Amanhã irei te ligar as 3h da madrugada para te acordar, só para contar uma piada e te fazer feliz, pra saber se você irá gostar!
Ele desconversou e nós fomos embora.

Ah, só tenho uma coisa a dizer a este senhor, nós estamos na profissão certa, somos palhaços, sabemos muito bem onde somos bem vindos e onde somos convenientes, e na próxima eleição veja bem quem você coloca no poder e saiba de quem deve cobrar.
Mas nem só de encontros truncados foi o nosso dia, conhecemos a Vera. Que nos acompanhou pelo outro lado da calçada até a faixa de pedestre onde nos encontramos e seguimos para uma lanchonete, onde brindamos nosso encontro, Vera, Trupe e Roberto - um senhor muito simpático que estava por ali. Brindamos, trocamos contatos e nos despedimos, foi realmente um encontro “Majestoso”.
Pensando bem, coisas estranhas realmente acontecem neste mês de Agosto...
Rolha quebrou a borracha da porta do carro de um garoto que a convidou para dar um passeio, mas logo em seguida desistiu do programa.
Fomos perseguidos por algumas garotas, que queriam de volta o sorvete delas - Elisa Betana pegara emprestado, e não queria devolver - nesse caso corremos bastante até despistá-las.
Ah, outro fato bem estranho ocorrido no mês de Agosto, foi no ano de 2012 no bairro Parada Inglesa, bem próximo a Santana, onde um aposentado ergueu um muro em volta da praça ‘Nossa Senhora dos Prazeres’, alegando que aquele terreno é dele.
Que coisa de louco, só no mês de Agosto para acontecer umas coisas dessas mesmo, viu!

Renato Ribeiro - (Claudius do Latim)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

27 de Julho... um outro olhar

Foi naquele 27/07, era uma quarta feira, tudo parecia normal no bairro de Santana, havia muitas pessoas nas ruas. Como de costume era um vai e vem de carros, os sons das lojas eram altos, uns vendiam outros compravam, outros passeavam... Tudo normal. Uma quarta feira comum como outra qualquer. Estação Santana cheia como sempre, com filas e mais filas de ônibus. Vejo lá no fundo em uma das filas, uma senhora, que estava com fone de ouvido, ouvindo uma música (e sabemos que quando estamos com fone de ouvido ouvindo música na rua, nos desligamos do mundo, ou melhor, ficamos em outro mundo), e pude perceber que com essa senhora não era diferente, ela estava ali com seu fone, olhando para baixo e sempre muito séria, sem saber o que passava ao seu redor. Até que surgiu na sua frente uma bolinha de sabão, a senhora depois de muito tempo de cabeça baixa, levantou e começou a procurar de onde viria aquela inesperada bolinha de sabão em plena Estação Santana... Quando ela descobriu que aquela bolha vinha de três palhaços que andavam por ali naquele dia, imediatamente ela tirou o fone e lá de longe ficou observando as estripulias do trio, e eis que em seu rosto (até agora muito sério) surgiu um tímido sorriso. De longe a trupe acena para ela, que responde com um sorriso maior. A trupe seguiu seu caminho e a senhora os acompanhou de longe até eles dobrarem a esquina e deixarem para traz o terminal.

Fiquei ali parada por algum tempo e aquela senhora continuou sorrindo. Comentou algo com a moça da frente, que também sorriu, e a aquela “normalidade de quarta feira” se modificou por alguns minutos.
De fora pude observar o quanto esse trabalho atinge pessoas indiretamente; por que às vezes nos deparamos com pessoas que não querem se aproximar por diversos motivos, ás vezes elas só querem ,ou só podem, ficar ali no cantinho delas e acompanhar o trabalho de longe, como foi o caso dessa senhora no ponto de ônibus, e não é por isso que elas deixam de ser afetadas pelo trabalho. Mas também existem as pessoas com quem agimos diretamente, pessoas que querem estar ali conosco brincando, conversando, jogando junto. Como foi o caso do Sr. Ademir, um porteiro que assim que chegamos, já abriu um sorrisão e começou a brincar, e ali com o Sr. Ademir ficamos quase 10 minuntos, só brincando, dando risada, falando bobagem. E quando saímos ele me pegou pelo braço e disse: “Sabe minha filha, as pessoas não entendem que o importante da vida é sorrir , não importa se você tem dente ou não, se é gordo ou magro, o importante é sorrir SEMPRE. E vendo esse trabalho de vocês, muitos devem pensar: 'mais que bobagem, por que eles estão fazendo isso?' Mas as pessoas tem que entender o significado dessa bobagem, entende? Muito bonito o trabalho de vocês filha, que Deus os abençoe e que permita que vocês continuem fazendo essas bobagens por muitos e muitos anos”.
Muito obrigada você Sr. Ademir e a todos que me deixaram observar naquele 25/07, que a Trupe DuNavô ganhou mais um tanto de “Amigos...Colegas...Seres Humanos Palhaços”

Gabi Zanola (Pamplona) - que nesse dia foi trabalhar a paisana!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Homenagem ao Chicão!


VAI – Intervenção dia 25 de julho

Hoje fizemos intervenção na Rua Gabriel Piza e Ezequiel Freire – pela primeira vez. Tudo novo hoje, desbravamos um outro lugar e ainda contamos com a Gabi a paisana nos acompanhando... Hoje foi tudo diferente. E pra “ornar” vamos fazer desse um relatório diferente também, vamos contar aqui um único encontro, pois em meio a tantos outros, tão encantadores quanto, esse nos saltou aos olhos...

Homenagem ao Chicão


-Qual seu nome?
-Eu moro na rua!
-Tá. Mas qual é o seu nome?
-O meu nome é Chicão. Eu moro na rua. Ninguém para aqui. Eu vi vocês passando lá do outro lado da rua...  E agora... Vocês estão aqui. Pararam aqui!

Engraçado perceber como nós as “pessoas” deixamos de perceber os “outros” que estão à margem. Elas deixam de existir na sociedade. E o palhaço também está à margem – a diferença é que ele não fede e também não deixa de existir para o outro – o nariz é o “pic’s”, o palhaço pode permear esse lugar do “diferente”, a sociedade lhe permite estar à margem sem problemas. Historicamente, o palhaço é comparado ao bêbado; pelo nariz vermelho, pela não adequação as regras, pela “vagabundagem”... E vagabundo, segundo dizem, é aquele que vaga pelo mundo, daí tudo se explica, é com aqueles que estão à margem nossa mais profunda identificação. Encontramos o Chicão na R. Gabriel Piza, sentado numa mureta, em frente a uma igreja, e o sentimento de que ali éramos chamados foi unânime.  Paramos e proseamos por uns vinte minutos ou mais...
-Olhando pra vocês. Eu quero falar que eu tenho um amigo. Eu fui muito amigo do Chico Anysio. Eu sou do Ceará!
-Lá tem ótimos piadistas, não é? Ah, conto uma piada...
-...
-Ah, eu sei uma! Posso contar?
-Pode...

Contamos uma piada. Foi incrível... O Chicão não riu.
-É... Não temos o sangue Cearense. Nascemos em São Paulo. Conhece São Paulo né?
-Conheço... Conheço...
-Conhece Santo André?
-Santo André!
-São Caetano?
-São Caetano!
-Osasco?
-Osasco!
-Arthur Alvin?
-Arthur Alvin!
E assim fomos, falando nomes de dezenas de Cidades, Estados e Bairros. E Chicão repetia os nomes, mostrando que os conhecia também.

-O Sr. Sabe alguma história aqui de Santana?
-Não. Eu sou de Fortaleza!
-E uma música? Quer cantar?
-Cantar eu sei. Vamos cantar.
-Se for forró, a rolha toca triangulo.
-Não é forró! (E olhou com cara feia para o triangulo nas mãos de Rolha - que o guardou rapidamente) Então eu vou oferecer essa música pra toda minha família... “EUuu tenho tanto... pra lhe falarrr, MAS com... palavras NÃO sei dizer Como é grande o meu amorrrr, por vocêÊÊ. NUNca se esqueça NENHUM... momento... (pausa) que eu TENho amor... nenhum momento. COMO é GRANDE o meu amorrrrrr... porrrr VOcÊ!”
Nós o acompanhamos com bolhas e ukulêlê. Ele fechou os olhos e cantou com toda força e foi a primeira vez, desde que estávamos ali, que ele levantou a cabeça. Naquele momento, de olhos fechados, enquanto cantava para a sua família, ele passou a existir com toda sua potência.

Ele não nos pediu nada, pelo contrário, até rejeitou as bananas e os chicletes que lhe oferecemos. Disse que já tinha, não precisava de nada, estava cheio (apontou para os bolsos) de bananas e laranjas. Ofertamos-lhe então, um pequeno carrinho azul. Ele ficou feliz com o carrinho... E nós ainda mais felizes pela conversa e pelas canções compartilhadas num canto quase esquecido da cidade. E muita gente que passava por ali não entendia, mas de algum modo compreendiam – porque compreender é algo que não passa pelo entendimento.
Ainda cantamos “O Calhambeque”, do Rei – enquanto ele fazia eco ao nosso coro de “Bi-bi” no refrão. Ali nos despedimos.
-Eu não sei qual é o trabalho de vocês. Não sei qual o projeto de vocês, mas é lindo!

Chicão ficou sentado na mesma mureta que o encontramos... Ao olhar pra trás ainda podíamos vê-lo segurando o carrinho com as duas mãos e observando o pequeno calhambeque com muita atenção.

Agora o Chicão é um dos nossos Amigos... Colegas... SERES HUMANOS... Palhaços!


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dezoito de Julho... a Trupe nas Ruas de Santana

Reencontrar... O ato de viver novamente aquele encontro.  É isso? Não sei, pois cada encontro é um novo, não somos os mesmos a encontrar e aqueles que encontramos já não são os mesmos a passar por nós também. Somos eternos rios, com águas correntes e por isso mesmo mutantes... A vida é um constante movimento.
Bom, filosofias a parte, vamos falar desse dia de intervenção na Rua Dr. César. Aliás, começamos esse relatório desse jeito porque esse foi um dia de reencontros. Conforme nossa querida Dona Denise pediu no último dia em que nos vimos, revelamos nossa foto juntos, colocamos em um simples porta retrato e com uma fita laçamos nossa amizade. Saímos do nosso percurso do dia, e fomos a caça da senhora que nos desvendou as estrelas. Como de costume, encontramos dona Denise sentadinha entregando panfletos, ela nos recebeu com um lindo e sincero sorriso, conversamos um bocadinho e quando ela menos esperava entregamos a sacolinha com a surpresa. Dona Denise brilhou os olhos e em um tom suave disse: Essa noite sonharei com vocês!
Agora sim, missão comprida e coração cheio, seguimos em direção a Rua Dr. Cesar, em meio a muitos reencontros com o pessoal das lojas da Rua Voluntários da Pátria conhecemos o pequeno Pedro, um menino muito simpático que acompanhava sua mãe. Ele tinha um lindo e bem cuidado black power. Ele nos viu descendo a rua, nos cumprimentou e um tempo depois voltou para tirar uma foto e até se aventurou a tocar a sanfona no lugar da Pamplona – ficamos tentados a fazer uma substituição, mas Pedro achou o instrumento deveras pesado.




Conhecemos duas senhoras velhinhas – gêmeas – uma delas tinha sido cantora lírica. Imagine o quanto nos sentimos honrados com esse encontro... Ah, falando em honra, nesse dia conhecemos também o Sr. GPS – ele trazia em sua carroça de catar papel um mapa da cidade inteira, com ele não era possível se sentir perdido.  E sabe quem nos achou? A Dona Neide, que conhecemos no primeiro dia de intervenção desse projeto. Ela nos recebeu com um grito e um imenso sorriso nos lábios: -Ahhhhhhhhhhh, vocês por aqui.
Nos lembrávamos do rosto dela, mas o nome nos fugia a memória. “-Nossa, a senhora por aqui, que prazer. Mas como é seu nome mesmo? Calma, vamos lembrar. Qual a primeira letra?
-A primeira letra?
-É! Só a primeira...
-A primeira... é Neide!”
Rimos e nos abraçamos. Até hoje não sabemos qual é o nome dela, mas já sabemos que a primeira letra é Neide, então pra facilitar resolvemos chama-la de Neide.  E a dona Neide nos chamou de artistas, fez questão de chamar todo mundo pra nos ver. Disse que fazíamos teatro, então pra não decepcioná-la encenamos, ali naquela calçada mesmo, a peça: Dona Fulaninha em Trair e coçar é só começar! Estrelando Dona Fulaninha e Aquela Outra.
Peça que foi sucesso absoluto de público e crítica!
Encerramos nosso dia cheios de lembranças... Foi um prazer... Como sempre!
Ahhh, também marcamos um encontro pra uma próxima vez com uma garotinha chamada Olivia – que nos ordenou que a encontrássemos ali quando ela passasse de novo. E estaremos lá! Só falta saber se ela vai nos reconhecer e se será a mesma... Hoje em dia criança cresce rápido né? Minha vó sempre dizia isso: “hoje em dia criança cresce rápido!” E acho que a vó dela já dizia isso nos dias dela. Acho que, na verdade, “hoje em dia” é que sempre passa corrido pela gente sem que percebamos que continuamos criança por dentro... Sei lá, a gente nunca sabe ao certo nada, né? 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Rua Alfredo Pujol – Santana/SP


04 de Julho de 2012



Esse dia em especial estava propicio para encontros, conversas, abraços e comemorações. Diferente da nossa ultima vez aqui, nós estávamos mais a vontade com aqueles olhares de estranhamento com quatro palhaços simplesmente andando pelas ruas. Fomos brindados com um belo dia típico de inverno, com aquele friozinho gostoso com Sol. Ah, e outro fato que não podemos esquecer é que era dia da Final da Libertadores da América e muitos estavam ansiosos aguardando o momento do jogo. E qualquer coisa que fizesse o tempo passar era bem vinda e nós estávamos ali justamente querendo gastar nosso tempo com qualquer um que quisesse nos dar atenção e isso aconteceu por diversas vezes em meio aos gritos de ”Vai Boca” ou “Dá-lhe Corinthians”. Ou seria o contrário? Saímos da paróquia de Sant’Anna e fomos recebidos pelo nosso amigo Sandro Henrique – manobrista da paróquia, que sentiu falta da cadeira de rodas da Rolha, que agora está usando muletas, aliás uma só, seu pé já está quase completamente sarado. Ebaaaa!!!



Começamos pela calçada da fama, que estava sendo construída em um estacionamento, e foi estreada por uma Pomba e um Elefante - que preferiram não deixar assinaturas. O nosso queridíssimo amigo de longa data James nos recebeu com um singelo café da tarde juntamente com Jafoy e a Angélica. Passamos pela Casa de São Jorge, que não estava, por que foi ao jogo do Corinthians e vimos também alguns Soldados que voltavam da Selva e outros vindo, ou indo, para a Forra, não podemos dizer bem ao certo. Ah, e presenciamos um milagre: vimos uma flor de Margarida que nasceu na espada de São Jorge pedindo paz. Corremos e registramos esse acontecimento magnânimo pra a posteridade.


Os reencontros foram doces e pueris. Ver nos olhos de Dona Denise a surpresa porque nos recordamos dela e das histórias sobre as estrelas que ela nos contou foi um verdadeiro deleite pra nós. Já pararam pra pensar como nos acostumamos a não ser vistos e nem lembrados? Acabamos nos acostumando com os maus costumes. Mas nós, que nos lembramos, a presenteamos com um vasinho de flor e tiramos uma foto juntos, que ela, tímida, nos pediu para que lhe déssemos uma cópia no próximo encontro.
Encontramos uma miniatura da Elisa Betana, a pequenina veio ao nosso encontro com cintura de mola e pura simpatia, dançava empolgada de um lado para o outro, com um vestido igual o da Elisa - mas ao contrário. Um feliz encontro de princesa e rainha!
Fotografamos o encontro real e depois a pequena seguiu com sua mãe rua a cima e Betana ficou com um largo sorriso rua a dentro.

Na esquina da Rua Alfredo Pujol, Elisa Betana fez da vitrine da famosa lanchonete uma caixinha de música, com direito a Pamplona de bailarina e bolinhas de sabão sopradas pela Rolha e por Claudius - que ficou escondidinho atrás de uma pilastra deixando o ambiente com aparência totalmente feminina. Foram muitos os encontros... O Dono do Pedaço - o rapaz que cuida das vagas e carros da rua e que queria nós dar uma caixinha e se surpreendeu quando tiramos uma caixinha de veludo do bolso, dizendo que já tínhamos a nossa. Conhecemos também o Julio, que estava pedindo água em uma loja, quando a vendedora nos disse que ele precisava de remédio, talvez umas dez bolachas bem dadas para melhorar, coincidentemente havíamos ganhado cada um, um pacotinho de amostra de bolachas, e como uma boa doutora das necessidades alheias Elisa Betana retirou seu pacote e lhe ofereceu, logo todos seguiram seu ato e ofereceram suas bolachas ao rapaz que saiu rindo, declinando as bolachas. E assim fomos acabando nosso dia, com mais uma linda bagagem de encontros e reencontros, com os ânimos e as expectativas afloradas para a festa futebolística que acompanha nossa cultura e o gostinho de poder retornar para mais historias. Afinal foram alguns tantos Amigos.. Colegas... Seres Humanos Palhaços! E desta vez as pessoas se despediam de nós, perguntado quando voltaríamos, pois havíamos feito falta.


Como diria Chico Buarque na canção:
“Criar raiz e se arrancar. Hora de ir embora quando o corpo quer ficar...”

 Até breve Santana!
Voltaremos...