Foi naquele 27/07, era uma quarta feira, tudo parecia normal no bairro
de Santana, havia muitas pessoas nas ruas. Como de costume era um vai e
vem de carros, os sons das lojas eram altos, uns vendiam outros
compravam, outros passeavam... Tudo normal. Uma quarta feira comum como
outra qualquer. Estação Santana cheia como sempre, com filas e mais filas
de ônibus. Vejo lá no fundo em uma das filas, uma senhora, que estava
com fone de ouvido, ouvindo uma música (e sabemos que quando estamos com
fone de ouvido ouvindo música na rua, nos desligamos do mundo, ou
melhor, ficamos em outro mundo), e pude perceber que com essa senhora
não era diferente, ela estava ali com seu fone, olhando para baixo e
sempre muito séria, sem saber o que passava ao seu redor. Até que surgiu
na sua frente uma bolinha de sabão, a senhora depois de muito tempo de
cabeça baixa, levantou e começou a procurar de onde viria aquela
inesperada bolinha de sabão em plena Estação Santana... Quando ela
descobriu que aquela bolha vinha de três palhaços que andavam por ali
naquele dia, imediatamente ela tirou o fone e lá de longe ficou
observando as estripulias do trio, e eis que em seu rosto (até agora muito
sério) surgiu um tímido sorriso. De longe a trupe acena para ela, que
responde com um sorriso maior. A trupe seguiu seu caminho e a senhora os
acompanhou de longe até eles dobrarem a esquina e deixarem para traz o
terminal.
Fiquei ali parada por algum tempo e aquela senhora
continuou sorrindo. Comentou algo com a moça da frente, que também
sorriu, e a aquela “normalidade de quarta feira” se modificou por alguns
minutos.
De fora pude observar o quanto esse trabalho atinge pessoas
indiretamente; por que às vezes nos deparamos com pessoas que não
querem se aproximar por diversos motivos, ás vezes elas só querem ,ou só
podem, ficar ali no cantinho delas e acompanhar o trabalho de longe, como
foi o caso dessa senhora no ponto de ônibus, e não é por isso que elas
deixam de ser afetadas pelo trabalho. Mas também existem as pessoas com quem
agimos diretamente, pessoas que querem estar ali conosco brincando,
conversando, jogando junto. Como foi o caso do Sr. Ademir, um porteiro
que assim que chegamos, já abriu um sorrisão e começou a brincar, e
ali com o Sr. Ademir ficamos quase 10 minuntos, só brincando, dando risada,
falando bobagem. E quando saímos ele me pegou pelo braço e disse: “Sabe
minha filha, as pessoas não entendem que o importante da vida é sorrir
, não importa se você tem dente ou não, se é gordo ou magro, o
importante é sorrir SEMPRE. E vendo esse trabalho de vocês, muitos devem
pensar: 'mais que bobagem, por que eles estão fazendo isso?' Mas as
pessoas tem que entender o significado dessa bobagem, entende? Muito
bonito o trabalho de vocês filha, que Deus os abençoe e que permita que
vocês continuem fazendo essas bobagens por muitos e muitos anos”.
Muito obrigada você Sr. Ademir e a todos que me deixaram observar
naquele 25/07, que a Trupe DuNavô ganhou mais um tanto de
“Amigos...Colegas...Seres Humanos Palhaços”
Gabi Zanola (Pamplona) - que nesse dia foi trabalhar a paisana!
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Homenagem ao Chicão!
VAI – Intervenção dia 25 de julho
Hoje fizemos intervenção na Rua Gabriel Piza e Ezequiel Freire – pela primeira vez. Tudo novo hoje, desbravamos um outro lugar e ainda contamos com a Gabi a paisana nos acompanhando... Hoje foi tudo diferente. E pra “ornar” vamos fazer desse um relatório diferente também, vamos contar aqui um único encontro, pois em meio a tantos outros, tão encantadores quanto, esse nos saltou aos olhos...
Homenagem ao Chicão
Hoje fizemos intervenção na Rua Gabriel Piza e Ezequiel Freire – pela primeira vez. Tudo novo hoje, desbravamos um outro lugar e ainda contamos com a Gabi a paisana nos acompanhando... Hoje foi tudo diferente. E pra “ornar” vamos fazer desse um relatório diferente também, vamos contar aqui um único encontro, pois em meio a tantos outros, tão encantadores quanto, esse nos saltou aos olhos...
Homenagem ao Chicão
-Qual seu nome?
-Eu moro na rua!
-Tá. Mas qual é o seu nome?
-O meu nome é Chicão. Eu moro na rua. Ninguém para aqui. Eu vi vocês passando lá do outro lado da rua... E agora... Vocês estão aqui. Pararam aqui!
Engraçado perceber como nós as “pessoas” deixamos de perceber os “outros” que estão à margem. Elas deixam de existir na sociedade. E o palhaço também está à margem – a diferença é que ele não fede e também não deixa de existir para o outro – o nariz é o “pic’s”, o palhaço pode permear esse lugar do “diferente”, a sociedade lhe permite estar à margem sem problemas. Historicamente, o palhaço é comparado ao bêbado; pelo nariz vermelho, pela não adequação as regras, pela “vagabundagem”... E vagabundo, segundo dizem, é aquele que vaga pelo mundo, daí tudo se explica, é com aqueles que estão à margem nossa mais profunda identificação. Encontramos o Chicão na R. Gabriel Piza, sentado numa mureta, em frente a uma igreja, e o sentimento de que ali éramos chamados foi unânime. Paramos e proseamos por uns vinte minutos ou mais...
-Eu moro na rua!
-Tá. Mas qual é o seu nome?
-O meu nome é Chicão. Eu moro na rua. Ninguém para aqui. Eu vi vocês passando lá do outro lado da rua... E agora... Vocês estão aqui. Pararam aqui!
Engraçado perceber como nós as “pessoas” deixamos de perceber os “outros” que estão à margem. Elas deixam de existir na sociedade. E o palhaço também está à margem – a diferença é que ele não fede e também não deixa de existir para o outro – o nariz é o “pic’s”, o palhaço pode permear esse lugar do “diferente”, a sociedade lhe permite estar à margem sem problemas. Historicamente, o palhaço é comparado ao bêbado; pelo nariz vermelho, pela não adequação as regras, pela “vagabundagem”... E vagabundo, segundo dizem, é aquele que vaga pelo mundo, daí tudo se explica, é com aqueles que estão à margem nossa mais profunda identificação. Encontramos o Chicão na R. Gabriel Piza, sentado numa mureta, em frente a uma igreja, e o sentimento de que ali éramos chamados foi unânime. Paramos e proseamos por uns vinte minutos ou mais...
-Olhando pra vocês. Eu quero falar que eu tenho um amigo. Eu
fui muito amigo do Chico Anysio. Eu sou do Ceará!
-Lá tem ótimos piadistas, não é? Ah, conto uma piada...
-...
-Ah, eu sei uma! Posso contar?
-Pode...
Contamos uma piada. Foi incrível... O Chicão não riu.
-É... Não temos o sangue Cearense. Nascemos em São Paulo. Conhece São Paulo né?
-Conheço... Conheço...
-Conhece Santo André?
-Santo André!
-São Caetano?
-São Caetano!
-Osasco?
-Osasco!
-Arthur Alvin?
-Arthur Alvin!
-Lá tem ótimos piadistas, não é? Ah, conto uma piada...
-...
-Ah, eu sei uma! Posso contar?
-Pode...
Contamos uma piada. Foi incrível... O Chicão não riu.
-É... Não temos o sangue Cearense. Nascemos em São Paulo. Conhece São Paulo né?
-Conheço... Conheço...
-Conhece Santo André?
-Santo André!
-São Caetano?
-São Caetano!
-Osasco?
-Osasco!
-Arthur Alvin?
-Arthur Alvin!
E assim fomos, falando nomes de dezenas de Cidades, Estados
e Bairros. E Chicão repetia os nomes, mostrando que os conhecia também.
-O Sr. Sabe alguma história aqui de Santana?
-Não. Eu sou de Fortaleza!
-E uma música? Quer cantar?
-Cantar eu sei. Vamos cantar.
-Se for forró, a rolha toca triangulo.
-Não é forró! (E olhou com cara feia para o triangulo nas mãos de Rolha - que o guardou rapidamente) Então eu vou oferecer essa música pra toda minha família... “EUuu tenho tanto... pra lhe falarrr, MAS com... palavras NÃO sei dizer Como é grande o meu amorrrr, por vocêÊÊ. NUNca se esqueça NENHUM... momento... (pausa) que eu TENho amor... nenhum momento. COMO é GRANDE o meu amorrrrrr... porrrr VOcÊ!”
-O Sr. Sabe alguma história aqui de Santana?
-Não. Eu sou de Fortaleza!
-E uma música? Quer cantar?
-Cantar eu sei. Vamos cantar.
-Se for forró, a rolha toca triangulo.
-Não é forró! (E olhou com cara feia para o triangulo nas mãos de Rolha - que o guardou rapidamente) Então eu vou oferecer essa música pra toda minha família... “EUuu tenho tanto... pra lhe falarrr, MAS com... palavras NÃO sei dizer Como é grande o meu amorrrr, por vocêÊÊ. NUNca se esqueça NENHUM... momento... (pausa) que eu TENho amor... nenhum momento. COMO é GRANDE o meu amorrrrrr... porrrr VOcÊ!”
Nós o acompanhamos com bolhas e ukulêlê. Ele fechou os olhos
e cantou com toda força e foi a primeira vez, desde que estávamos ali, que ele
levantou a cabeça. Naquele momento, de olhos fechados, enquanto cantava para a
sua família, ele passou a existir com toda sua potência.
Ele não nos pediu nada, pelo contrário, até rejeitou as
bananas e os chicletes que lhe oferecemos. Disse que já tinha, não precisava de
nada, estava cheio (apontou para os bolsos) de bananas e laranjas. Ofertamos-lhe
então, um pequeno carrinho azul. Ele ficou feliz com o carrinho... E nós ainda
mais felizes pela conversa e pelas canções compartilhadas num canto quase
esquecido da cidade. E muita gente que passava por ali não entendia, mas de
algum modo compreendiam – porque compreender é algo que não passa pelo
entendimento.
Ainda cantamos “O Calhambeque”, do Rei – enquanto ele fazia
eco ao nosso coro de “Bi-bi” no refrão. Ali nos despedimos.
-Eu não sei qual é o trabalho de vocês. Não sei qual o projeto de vocês, mas é lindo!
Chicão ficou sentado na mesma mureta que o encontramos... Ao olhar pra trás ainda podíamos vê-lo segurando o carrinho com as duas mãos e observando o pequeno calhambeque com muita atenção.
Agora o Chicão é um dos nossos Amigos... Colegas... SERES HUMANOS... Palhaços!
-Eu não sei qual é o trabalho de vocês. Não sei qual o projeto de vocês, mas é lindo!
Chicão ficou sentado na mesma mureta que o encontramos... Ao olhar pra trás ainda podíamos vê-lo segurando o carrinho com as duas mãos e observando o pequeno calhambeque com muita atenção.
Agora o Chicão é um dos nossos Amigos... Colegas... SERES HUMANOS... Palhaços!
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Dezoito de Julho... a Trupe nas Ruas de Santana
Reencontrar... O ato de viver novamente aquele
encontro. É isso? Não sei, pois cada
encontro é um novo, não somos os mesmos a encontrar e aqueles que encontramos
já não são os mesmos a passar por nós também. Somos eternos rios, com águas correntes
e por isso mesmo mutantes... A vida é um constante movimento.
Conhecemos duas senhoras velhinhas – gêmeas – uma delas tinha sido cantora lírica. Imagine o quanto nos sentimos honrados com esse encontro... Ah, falando em honra, nesse dia conhecemos também o Sr. GPS – ele trazia em sua carroça de catar papel um mapa da cidade inteira, com ele não era possível se sentir perdido. E sabe quem nos achou? A Dona Neide, que conhecemos no primeiro dia de intervenção desse projeto. Ela nos recebeu com um grito e um imenso sorriso nos lábios: -Ahhhhhhhhhhh, vocês por aqui.
Nos lembrávamos do rosto dela, mas o nome nos fugia a memória. “-Nossa, a senhora por aqui, que prazer. Mas como é seu nome mesmo? Calma, vamos lembrar. Qual a primeira letra?
-A primeira letra?
-É! Só a primeira...
-A primeira... é Neide!”
Rimos e nos abraçamos. Até hoje não sabemos qual é o nome dela, mas já sabemos que a primeira letra é Neide, então pra facilitar resolvemos chama-la de Neide. E a dona Neide nos chamou de artistas, fez questão de chamar todo mundo pra nos ver. Disse que fazíamos teatro, então pra não decepcioná-la encenamos, ali naquela calçada mesmo, a peça: Dona Fulaninha em Trair e coçar é só começar! Estrelando Dona Fulaninha e Aquela Outra.
Peça que foi sucesso absoluto de público e crítica!
Bom, filosofias a parte, vamos falar desse dia de intervenção na Rua Dr. César.
Aliás, começamos esse relatório desse jeito porque esse foi um dia de
reencontros. Conforme nossa querida Dona Denise pediu no último dia em que nos
vimos, revelamos nossa foto juntos, colocamos em um simples porta retrato e com
uma fita laçamos nossa amizade. Saímos do nosso percurso do dia, e fomos a caça
da senhora que nos desvendou as estrelas. Como de costume, encontramos dona
Denise sentadinha entregando panfletos, ela nos recebeu com um lindo e sincero
sorriso, conversamos um bocadinho e quando ela menos esperava entregamos a
sacolinha com a surpresa. Dona Denise brilhou os olhos e em um tom suave disse:
Essa noite sonharei com vocês!
Agora sim, missão comprida e coração cheio, seguimos em
direção a Rua Dr. Cesar, em meio a muitos reencontros com o pessoal das lojas
da Rua Voluntários da Pátria conhecemos o pequeno Pedro, um menino muito
simpático que acompanhava sua mãe. Ele tinha um lindo e bem cuidado black
power. Ele nos viu descendo a rua, nos cumprimentou e um tempo depois voltou
para tirar uma foto e até se aventurou a tocar a sanfona no lugar da Pamplona –
ficamos tentados a fazer uma substituição, mas Pedro achou o instrumento
deveras pesado.
Conhecemos duas senhoras velhinhas – gêmeas – uma delas tinha sido cantora lírica. Imagine o quanto nos sentimos honrados com esse encontro... Ah, falando em honra, nesse dia conhecemos também o Sr. GPS – ele trazia em sua carroça de catar papel um mapa da cidade inteira, com ele não era possível se sentir perdido. E sabe quem nos achou? A Dona Neide, que conhecemos no primeiro dia de intervenção desse projeto. Ela nos recebeu com um grito e um imenso sorriso nos lábios: -Ahhhhhhhhhhh, vocês por aqui.
Nos lembrávamos do rosto dela, mas o nome nos fugia a memória. “-Nossa, a senhora por aqui, que prazer. Mas como é seu nome mesmo? Calma, vamos lembrar. Qual a primeira letra?
-A primeira letra?
-É! Só a primeira...
-A primeira... é Neide!”
Rimos e nos abraçamos. Até hoje não sabemos qual é o nome dela, mas já sabemos que a primeira letra é Neide, então pra facilitar resolvemos chama-la de Neide. E a dona Neide nos chamou de artistas, fez questão de chamar todo mundo pra nos ver. Disse que fazíamos teatro, então pra não decepcioná-la encenamos, ali naquela calçada mesmo, a peça: Dona Fulaninha em Trair e coçar é só começar! Estrelando Dona Fulaninha e Aquela Outra.
Peça que foi sucesso absoluto de público e crítica!
Encerramos nosso dia cheios de
lembranças... Foi um prazer... Como sempre!
Ahhh,
também marcamos um encontro pra uma próxima vez com uma garotinha chamada
Olivia – que nos ordenou que a encontrássemos ali quando ela passasse de novo.
E estaremos lá! Só falta saber se ela vai nos reconhecer e se será a mesma...
Hoje em dia criança cresce rápido né? Minha vó sempre dizia isso: “hoje em dia
criança cresce rápido!” E acho que a vó dela já dizia isso nos dias dela. Acho
que, na verdade, “hoje em dia” é que sempre passa corrido pela gente sem que
percebamos que continuamos criança por dentro... Sei lá, a gente nunca sabe ao
certo nada, né? terça-feira, 10 de julho de 2012
Rua Alfredo Pujol – Santana/SP
04 de Julho de 2012
Esse dia em especial estava propicio para encontros, conversas, abraços e comemorações. Diferente da nossa ultima vez aqui, nós estávamos mais a vontade com aqueles olhares de estranhamento com quatro palhaços simplesmente andando pelas ruas. Fomos brindados com um belo dia típico de inverno, com aquele friozinho gostoso com Sol. Ah, e outro fato que não podemos esquecer é que era dia da Final da Libertadores da América e muitos estavam ansiosos aguardando o momento do jogo. E qualquer coisa que fizesse o tempo passar era bem vinda e nós estávamos ali justamente querendo gastar nosso tempo com qualquer um que quisesse nos dar atenção e isso aconteceu por diversas vezes em meio aos gritos de ”Vai Boca” ou “Dá-lhe Corinthians”. Ou seria o contrário? Saímos da paróquia de Sant’Anna e fomos recebidos pelo nosso amigo Sandro Henrique – manobrista da paróquia, que sentiu falta da cadeira de rodas da Rolha, que agora está usando muletas, aliás uma só, seu pé já está quase completamente sarado. Ebaaaa!!!

Começamos pela calçada da fama, que estava sendo construída em um estacionamento, e foi estreada por uma Pomba e um Elefante - que preferiram não deixar assinaturas. O nosso queridíssimo amigo de longa data James nos recebeu com um singelo café da tarde juntamente com Jafoy e a Angélica. Passamos pela Casa de São Jorge, que não estava, por que foi ao jogo do Corinthians e vimos também alguns Soldados que voltavam da Selva e outros vindo, ou indo, para a Forra, não podemos dizer bem ao certo. Ah, e presenciamos um milagre: vimos uma flor de Margarida que nasceu na espada de São Jorge pedindo paz. Corremos e registramos esse acontecimento magnânimo pra a posteridade.
Os reencontros foram doces e pueris. Ver nos olhos de Dona Denise a surpresa porque nos recordamos dela e das histórias sobre as estrelas que ela nos contou foi um verdadeiro deleite pra nós. Já pararam pra pensar como nos acostumamos a não ser vistos e nem lembrados? Acabamos nos acostumando com os maus costumes. Mas nós, que nos lembramos, a presenteamos com um vasinho de flor e tiramos uma foto juntos, que ela, tímida, nos pediu para que lhe déssemos uma cópia no próximo encontro.
Encontramos uma miniatura da Elisa Betana, a pequenina veio ao nosso encontro com cintura de mola e pura simpatia, dançava empolgada de um lado para o outro, com um vestido igual o da Elisa - mas ao contrário. Um feliz encontro de princesa e rainha!
Fotografamos o encontro real e depois a pequena seguiu com sua mãe rua a cima e Betana ficou com um largo sorriso rua a dentro.
Na esquina da Rua Alfredo Pujol, Elisa Betana fez da vitrine da famosa lanchonete uma caixinha de música, com direito a Pamplona de bailarina e bolinhas de sabão sopradas pela Rolha e por Claudius - que ficou escondidinho atrás de uma pilastra deixando o ambiente com aparência totalmente feminina. Foram muitos os encontros... O Dono do Pedaço - o rapaz que cuida das vagas e carros da rua e que queria nós dar uma caixinha e se surpreendeu quando tiramos uma caixinha de veludo do bolso, dizendo que já tínhamos a nossa. Conhecemos também o Julio, que estava pedindo água em uma loja, quando a vendedora nos disse que ele precisava de remédio, talvez umas dez bolachas bem dadas para melhorar, coincidentemente havíamos ganhado cada um, um pacotinho de amostra de bolachas, e como uma boa doutora das necessidades alheias Elisa Betana retirou seu pacote e lhe ofereceu, logo todos seguiram seu ato e ofereceram suas bolachas ao rapaz que saiu rindo, declinando as bolachas. E assim fomos acabando nosso dia, com mais uma linda bagagem de encontros e reencontros, com os ânimos e as expectativas afloradas para a festa futebolística que acompanha nossa cultura e o gostinho de poder retornar para mais historias. Afinal foram alguns tantos Amigos.. Colegas... Seres Humanos Palhaços! E desta vez as pessoas se despediam de nós, perguntado quando voltaríamos, pois havíamos feito falta.
Como diria Chico Buarque na canção:
“Criar raiz e se arrancar. Hora de ir embora quando o corpo quer ficar...”
Até breve Santana!
Voltaremos...
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Por que o palhaço foi pra rua?
Parece piada, não é? Mas é sério! Trabalho de palhaço é
coisa séria. Tem a seriedade de uma mãe ao dar a luz. E quer seriedade mais
séria do que essa?!
Colocar o nariz e atravessar a rua... É aí que tudo se inicia; os encontros, apertos de mão, abraços, fotos... Cada quarteirão esconde uma surpresa, uma nova descoberta, um novo olhar! Ás vezes, é uma criança que se surpreende ao encontrar quatro palhaços caminhando, outras vezes, é uma senhora que se contenta com ouvidos atentos a uma história sua.
A rua é apressada e o palhaço anda lento, mas não chega a atrapalhar o trânsito quando se declara entre todos o mais bento.
Luís Fernando Veríssimo tem um texto que diz: “O homem é o único animal que ri dos outros. O homem é o único animal que passa por outro e finge que não vê”.
E daí esses quatro narizes se põem na rua pra se fazer vêr e pra fazer com que os outros se vejam.
Saímos da Paroquia de Sant’Anna – que tem, gentilmente, aberto as portas para ser nosso ponto de apoio – às 14h do dia 20 de junho. E já saímos em grande estilo, fomos recepcionados com um largo sorriso do manobrista que queria nos cobrar o estacionamento da cadeira de rodas. A rua nos recebeu timida a principio; um bom dia aqui, um sorriso acolá e quando percebemos já estavamos familiarizados com o sobe e desce frenético das ruas tão movimentadas e ao mesmo tempo tão solitárias para alguns.
Até carona na cadeira de rodas da Rolha pudemos oferecer à uma senhora que passava subindo a rua com uma bengala. Levamos Dona Lu até o ponto de onibus e esperamos com ela na cadeira até que o dito cujo chegasse. Foi muito bom ter uma cadeira a oferecer aos seus pés cansados e um sorriso pra compartilhar com seu coração.
Encontramos também um senhor sorridente que voltava pra casa após uma visita ao dentista e Claudius até lhe ofereceu um dos dentes que leva com sigo num saquinho pra trocar com a fada do dente – afinal, nunca se sabe quando precisaremos de um dente novo, não é? E como não citar a menina Ana, que fez a mãe parar quando se deparou conosco passando pela loja da qual elas saiam. A mãe não teve alternativa quando a menina fincou os pés no chão para vêr as bolhas de sabão que Elisa Betana soltava no ar. Outro encontro foi com a Dona Denise, que distribuia papéis na porta de uma loja, ali mesmo na calçada ela nos falou sobre as estrelas – e até sobre aquela estrela intrusa na constelação Cruzeiro do Sul.
Um pouco mais a frente um morador de rua mandou que Pamplona tocasse uma música no acordeon para Rolha, pois ela estava na cadeira de rodas, ué!
Colocar o nariz e atravessar a rua... É aí que tudo se inicia; os encontros, apertos de mão, abraços, fotos... Cada quarteirão esconde uma surpresa, uma nova descoberta, um novo olhar! Ás vezes, é uma criança que se surpreende ao encontrar quatro palhaços caminhando, outras vezes, é uma senhora que se contenta com ouvidos atentos a uma história sua.
A rua é apressada e o palhaço anda lento, mas não chega a atrapalhar o trânsito quando se declara entre todos o mais bento.
Luís Fernando Veríssimo tem um texto que diz: “O homem é o único animal que ri dos outros. O homem é o único animal que passa por outro e finge que não vê”.
E daí esses quatro narizes se põem na rua pra se fazer vêr e pra fazer com que os outros se vejam.
Saímos da Paroquia de Sant’Anna – que tem, gentilmente, aberto as portas para ser nosso ponto de apoio – às 14h do dia 20 de junho. E já saímos em grande estilo, fomos recepcionados com um largo sorriso do manobrista que queria nos cobrar o estacionamento da cadeira de rodas. A rua nos recebeu timida a principio; um bom dia aqui, um sorriso acolá e quando percebemos já estavamos familiarizados com o sobe e desce frenético das ruas tão movimentadas e ao mesmo tempo tão solitárias para alguns.
Até carona na cadeira de rodas da Rolha pudemos oferecer à uma senhora que passava subindo a rua com uma bengala. Levamos Dona Lu até o ponto de onibus e esperamos com ela na cadeira até que o dito cujo chegasse. Foi muito bom ter uma cadeira a oferecer aos seus pés cansados e um sorriso pra compartilhar com seu coração.
Encontramos também um senhor sorridente que voltava pra casa após uma visita ao dentista e Claudius até lhe ofereceu um dos dentes que leva com sigo num saquinho pra trocar com a fada do dente – afinal, nunca se sabe quando precisaremos de um dente novo, não é? E como não citar a menina Ana, que fez a mãe parar quando se deparou conosco passando pela loja da qual elas saiam. A mãe não teve alternativa quando a menina fincou os pés no chão para vêr as bolhas de sabão que Elisa Betana soltava no ar. Outro encontro foi com a Dona Denise, que distribuia papéis na porta de uma loja, ali mesmo na calçada ela nos falou sobre as estrelas – e até sobre aquela estrela intrusa na constelação Cruzeiro do Sul.
Um pouco mais a frente um morador de rua mandou que Pamplona tocasse uma música no acordeon para Rolha, pois ela estava na cadeira de rodas, ué!
São tantas coisas, tantos encontros, que para descrever cada um teríamos que escrever um livro. Mas pra isso teriamos que escrever um novo projeto. Quem sabe, não é?!
Por enquanto fica aqui um pequeno retalho dessa imensa colcha que estamos construíndo. Agradecemos aos já sólidos amigos e aqueles que estão se solidificando. É sempre um prazer poder trocar experiências e vivências!
E que seja sempre uma troca!
A via de mão dupla nos agrada muito mais do que a de mão única!
Trupe DuNavô
Trupe DuNavô
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Amigos... Colegas... Seres Humanos Palhaços
Boa tarde Senhoras e Senhores, crianças e crianços...
É com grande prazer que informamos que COMEÇAMOS o VAI!!!!
Sim, nesse romântico 12/06, dia dos namorados (terça-feira) começamos o romance com o nosso projeto: “Amigos... Colegas... Seres Humanos Palhaços” contemplado pelo Programa VAI 2012.
O bom é saber que nos esbaldamos apenas com o aperitivo, vamos
ainda nos empanturrar com a entrada, o prato principal, a sobremesa e o cafezinho... Oh
vida boa!
Na próxima semana estaremos nas ruas do bairro de Santana (zona norte) para gastar as calorias adquiridas e colocar em prática tudo o que foi conversado nessa gulosa terça-feira.
Estão todos convidados a apreciar essa mistura nutritiva que tem efeitos risonhos e anti-stress.
Bom apetite!
É com grande prazer que informamos que COMEÇAMOS o VAI!!!!
Sim, nesse romântico 12/06, dia dos namorados (terça-feira) começamos o romance com o nosso projeto: “Amigos... Colegas... Seres Humanos Palhaços” contemplado pelo Programa VAI 2012.
Tivemos um (re)encontro a luz de
refletores com o mestre Dagoberto Feliz, que nos deixou feliz ao nos acompanhar nessa nova caminhada. Degustamos uma conversa recheada
de risadas, idéias, provocações e lembranças acompanhadas de novas
possibilidades. Foram 4 horas fartas que nós deixaram com gostinho de
quero mais.
| 1º (Re)Encontro com Dagoberto Feliz! |
Na próxima semana estaremos nas ruas do bairro de Santana (zona norte) para gastar as calorias adquiridas e colocar em prática tudo o que foi conversado nessa gulosa terça-feira.
Estão todos convidados a apreciar essa mistura nutritiva que tem efeitos risonhos e anti-stress.
Bom apetite!
terça-feira, 5 de junho de 2012
Virada Cultural de São Caetano do Sul - Jovem Guarda
Esse ano iremos comemorar um ano desse casamento com a Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul. Bodas de Papel, não é?
E nada melhor pra comemorar do que fazer a festa! E a festa foi em grande estilo; foram três dias de encontros e rememorações, fomos até convidados para tomar um chá numa Associação de Aposentados e Pensionistas da Cidade, lá festejamos e convocamos todos pra Virada - nem precisamos dizer que o tema empolgou a todos, né?!
A Virada veio acompanhada de muito frio, o que nos fez tirar os casacos do armário para ir às ruas - como dizem: "no inverno todo mundo fica mais bonito" - ficamos chic's demais! Modéstia à parte, estavamos uns brotos, mora? E tinha que ser assim pra receber tanta gente bonita nessa festa de arromba.
Na divulgação o material acabava muito rápido - o que levavamos nunca era suficiente, tinha sempre mais gente interessada! As idas e vindas até a SECULT eram frequentes pra reabastecer - indicios de que essa Virada seria um sucesso estrondoso. A idéia de uma festa com esse tema despertou o interesse geral, todo mundo tinha uma história ou uma canção pra compartilhar, afinal a jovem guarda marcou época e mesmo aqueles que não viveram esse momento histórico tinham suas marcas do movimento.
E quantos tesouros pode esconder uma cidade, não é mesmo? Nesse evento tivemos a honra, o orgulho e o prazer de conhecer o Sr. Gilberto e sua esposa, numa rua pertinho da SECULT, quando jovem ele fez parte do Trio Montanhes e nos deleitou com a sua voz e suas lindas histórias - sua mulher nos contou que ele flertou com a Elis Regina, claro que ele ficou um tanto encabulado e deu uma amenizada na história dizendo que tinham sido apenas bons amigos. Por fim, os dois fizeram um dueto ali mesmo na calçada, o que fascinou os vizinhos que não faziam idéia que moravam ao lado de artistas tão talentosos. Nos despedimos com a promessa de sempre voltar ali e ouvir um pouco mais das lembranças do Sr. Gilberto e com os corações encantados pela beleza dos relatos.
A maioria das pessoas ainda não sabia do evento e até nos agradeciam pela divulgação. Os cidadãos de São Caetano são sempre imensamente gentis conosco: esse ano pudemos partilhar de aniversários no meio da calçada, tiramos dezenas de fotos, dançamos, cantamos, emocionamos e fomos emocionados - afinal é sempre uma troca!
Só temos a agradecer!
E esperar pela próximo - aqui nos sentimos em casa e esperamos poder sempre trabalhar para edificar ainda mais a cultura nessa Cidade que sempre oferece as mãos pra nos acolher.
Obrigada!
E até a próxima!
E nada melhor pra comemorar do que fazer a festa! E a festa foi em grande estilo; foram três dias de encontros e rememorações, fomos até convidados para tomar um chá numa Associação de Aposentados e Pensionistas da Cidade, lá festejamos e convocamos todos pra Virada - nem precisamos dizer que o tema empolgou a todos, né?!
A Virada veio acompanhada de muito frio, o que nos fez tirar os casacos do armário para ir às ruas - como dizem: "no inverno todo mundo fica mais bonito" - ficamos chic's demais! Modéstia à parte, estavamos uns brotos, mora? E tinha que ser assim pra receber tanta gente bonita nessa festa de arromba.
Na divulgação o material acabava muito rápido - o que levavamos nunca era suficiente, tinha sempre mais gente interessada! As idas e vindas até a SECULT eram frequentes pra reabastecer - indicios de que essa Virada seria um sucesso estrondoso. A idéia de uma festa com esse tema despertou o interesse geral, todo mundo tinha uma história ou uma canção pra compartilhar, afinal a jovem guarda marcou época e mesmo aqueles que não viveram esse momento histórico tinham suas marcas do movimento.
E quantos tesouros pode esconder uma cidade, não é mesmo? Nesse evento tivemos a honra, o orgulho e o prazer de conhecer o Sr. Gilberto e sua esposa, numa rua pertinho da SECULT, quando jovem ele fez parte do Trio Montanhes e nos deleitou com a sua voz e suas lindas histórias - sua mulher nos contou que ele flertou com a Elis Regina, claro que ele ficou um tanto encabulado e deu uma amenizada na história dizendo que tinham sido apenas bons amigos. Por fim, os dois fizeram um dueto ali mesmo na calçada, o que fascinou os vizinhos que não faziam idéia que moravam ao lado de artistas tão talentosos. Nos despedimos com a promessa de sempre voltar ali e ouvir um pouco mais das lembranças do Sr. Gilberto e com os corações encantados pela beleza dos relatos.
A maioria das pessoas ainda não sabia do evento e até nos agradeciam pela divulgação. Os cidadãos de São Caetano são sempre imensamente gentis conosco: esse ano pudemos partilhar de aniversários no meio da calçada, tiramos dezenas de fotos, dançamos, cantamos, emocionamos e fomos emocionados - afinal é sempre uma troca!
Só temos a agradecer!
E esperar pela próximo - aqui nos sentimos em casa e esperamos poder sempre trabalhar para edificar ainda mais a cultura nessa Cidade que sempre oferece as mãos pra nos acolher.
Obrigada!
E até a próxima!
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